Veja o que Bolsonaro, Marina, Ciro, Alckmin, Meirelles e Álvaro Dias falaram hoje

jul 04, 2018

Investing.com - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reuniu nesta quarta-feira (7/4) os principais pré-candidatos à presidência, que puderam discursar por 25 minutos com espaço para perguntas.

O objetivo do evento era apresentar à sociedade e aos pré-candidatos sugestões para melhorar o desempenho da economia brasileira. Os empresários encaminharam aos presidenciáveis 42 documentos com sugestões, elaborados com base no Mapa Estratégico da Indústria 2018-2022, com foco na segurança jurídica, a educação, a infraestrutura, o ambiente macroeconômico, a eficiência do estado, a governança e a inovação.

Entre as propostas, destaque para a necessidade de adesão do Brasil à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), como e a modernização da tributação como forma de garantir a competitividade.

Para as relações de trabalho, a entidade defende novas mudanças na reforma trabalhista realizada em 2017 e apoia apoia a reforma da Previdência.

A CNI também apresentou propostas para o país superar os problemas de infraestrutura, relacionados ao setor transporte marítimo, ferroviário e rodoviário. Além de questões relacionadas a custos e competitividade relacionados à energia elétrica.

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Veja abaixo os principais pontos abordados por cada um dos presidenciáveis, na ordem de preferência de votos segundo pesquisa da CNI com o Ibope.

Jair Bolsonaro (PSL)

Em um dia que viu sua distância para os demais candidatos encolher na pesquisa telefônica realizada pelo portal Poder360, o deputado federal Jair Bolsonaro teve uma recepção calorosa entre os empresários, recebendo mais aplausos do que os demais.

Bolsonaro fez um discurso com ataques à esquerda, à legislação ambiental ao Congresso e defendeu projeto de crescimento semelhante ao adotado pela ditadura militar, além de mudanças na legislação trabalhista e a redução do número de ministérios.

O pré-candidato criticou o projeto de mudanças das leis previdenciárias apresentado pelo governo Temer – e seu concorrente Henrique Meirelles – e disse que é possível fazer uma mudança gradual. "Devagar a gente chega lá, de uma vez só o remendo novo vai rasgar a calça toda", disse sem detalhar sua proposta durante o evento.

Bolsonaro defendeu ainda a redução para 15 no número de ministérios e a indicação de generais para a Esplanada. “Vou botar alguns generais nos ministérios caso eu chegue lá. (...) Os anteriores colocaram corruptos e terroristas e ninguém falava nada”, afirmou.

Ele disse também que quer reduzir a burocracia e retirar regulamentações para aumentar a confiança e o investimento. “É o governo não ficar no cangote do empresário, não lembrar dele só quando precisa de alguma coisa. É o governo entender que ele é o empregado e não o patrão, nessa questão

O deputado disse que pode ser necessário reduzir alguns direitos trabalhistas. "Teremos de decidir: menos direitos e emprego ou todos os direitos e desemprego".

Ele ainda minimizou as críticas de não entender de economia ao afirmar que está acompanhado da “melhor equipe”, comandada por Paulo Guedes. Bolsonaro descartou aumentar o investimento público, pois não há espaço no orçamento. "Quais são os grandes problemas e como resolvê-los sem dinheiro? Não adianta me perguntarem aqui, por exemplo, sobre investimento. Nós estamos praticamente insolventes, quase todo o nosso orçamento está com despesas obrigatórias.”

Durante sua interação com empresários e jornalistas, Bolsonaro ainda criticou as decisões ‘ideológicas’ do STF, em referência à recente liminar de Ricardo Lewandowski proibindo privatizações sem consulta ao Congresso; rejeitou negociar com partidos de esquerda; e afirmou que irá a todos os debates na televisão.

Marina Silva (Rede)

A pré-candidata da Rede defendeu em hoje a prioridade na reforma política, além de simplificar as leis tributárias e aprovar a reforma da Previdência. Marina também afirmou ser impossível reduzir impostos, garantir manter o tripé econômico e reservou ataques discretos ao PT, PSDB e o MDB.

Em um discurso que, ao contrário dos demais candidatos, não foi interrompido em nenhum momento por aplausos dos empresários, a ex-ministra Marina Silva deu grande destaque à reforma política com a ampliação do mandato para cinco anos, fim da reeleição, autorização para candidaturas independentes, meritocracia para cargos do governo e voto distrital misto. O objetivo é quebrar o monopólio dos partidos tradicionais e reduzir a corrupção com o que batizou de “presidencialismo de proposição”.

“O presidencialismo de coalizão não resolve os problemas de hoje. (...) É preciso fazer um deslocamento para que se faça o que eu chamo de presidencialismo de proposição. Na ideia de um presidencialismo programático, os ministros serão escolhidos com base no programa”, afirmou.

A pré-candidata não detalhou sua proposta de reforma da Previdência e indicou que faria mudanças na reforma trabalhista aprovada pelo atual governo. “Não acho que ela deva ser revogada, acho que deve ser revisitada para corrigir essas injustiças que já haviam sido reparadas com a medida provisória”

Sobre a macroeconomia, Marina defendeu o respeito ao tripé econômico – meta de inflação, superávit primário e câmbio flutuante – e classificou como demagoga a ideia de reduzir impostos, proposta por Geraldo Alckmin. ."Não vamos aumentar tributos, mas também não se vai fazer a demagogia de que numa crise como essa terá redução de tributos"

A ex-ministra ainda criticou a gestão de governos petistas de selecionar “campeões nacionais”, além de atacar Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) que, segundo ela “esconderam a realidade” nas eleições de 2014. Marina apoiou o tucano no segundo turno.

A pré-candidata da Rede disse ainda que a Petrobras (SA:PETR4) deve permanecer atenta ao cenário internacional, mas que possui função de estratégia nacional, sem detalhar sua proposta para os preços do combustível.

Ciro Gomes (PDT)

O pré-candidato renovou sua imagem de combativo e defensor das causas trabalhistas em uma fala enfática, na qual distribuiu críticas até ao empresariado presente no evento da CNI. O ex-governador do Ceará defendeu uma revisão da reforma trabalhista com a participação das centrais sindicais um novo conceito para gerir a Previdência.

Ciro Gomes foi o único pré-candidato a ser vaiado no evento quando afirmou que a reforma trabalhista do governo Temer era uma “selvageria” e disse que possui um compromisso com as centrais sindicais para rediscutir o assunto. Em respostas às vaias disse que “é assim que vai ser. Vocês decidem. Se quiserem um presidente fraco escolham um desses que conversam fiado com vocês”.

A participação da população, segundo Ciro, também é fundamental para a mudança no regime previdenciário logo nos seis primeiros meses. O pré-candidato citou referendos e plebiscitos como formas de ouvir a população. Ele defendeu a mudança da Previdência para um modelo de capitalização com uma regra de transição, além de modelo unificado para a pública e privada.

Ciro criticou o STF por interferir demasiadamente na atuação dos demais poderes. "O judiciário brasileiro precisa voltar para o seu quadrado, o Ministério Público brasileiro precisa voltar para o seu quadrado".

Geraldo Alckmin (PSDB)

O ex-governador de São Paulo adotou uma postura dura em defesa da reforma da Previdência, redução do déficit público e revisão das leis tributárias para garantir o crescimento do país.

O pré-candidato afirmou que, se eleito, irá entregar ao Congresso sua proposta com adoção de idade mínima e regime único para Previdência nos primeiros seis meses de mandato. “A legitimidade disso, a força do voto da democracia, é fundamental, e eu diria que os primeiros seis meses são essenciais para fazer as reformas que precisam ser feitas”, afirmou.

Falando aos empresários, Alckmin arrancou aplausos ao citar Donald Trump e defender a redução do imposto de renda de pessoa jurídica para ‘estimular novos investimentos”. O ex-governador não detalhou a nova alíquota e tabela que será proposta, mas ele avançou na defesa dos princípios da reforma tributária.

"Precisamos simplificar o modelo tributário. Temos um verdadeiro manicômio tributário. (...) no mundo inteiro é um IVA (imposto sobre valor agregado). Se aplicarmos uma transição ano a ano, podemos simplificar o modelo tributário. Com um modelo tributário melhor, é possível ir reduzindo a carga tributária”, disse.

Alckmin defendeu ainda a maior integração do Brasil com o comércio internacional com a consolidação de acordos do Mercosul com a União Europeia e com os países do Pacífico.

Com relação ao déficit público, o ex-governador de SP disse que zerará o rombo em dois anos com redução do tamanho do estado, privatizações e PPPs para o estado poder voltar a investir.

Henrique Meirelles (MDB)

O pré-candidato governista aproveitou seu tempo para tentar colar sua imagem à do ex-presidente Lula, do qual foi presidente do BC por oito anos, e às propostas de reformas e vitórias na área econômica de Michel Temer. Meirelles defendeu com vigor uma simplificação das leis tributárias e a aprovação da reforma da Previdência.

O pré-candidato do MDB disse que dará prioridade à aprovação das reformas nos primeiros 100 dias de governo e dedicou parte do seu tempo para abordar a redução no número de impostos e no tempo gasto para lidar com a burocracia.

“Dados do Banco Mundial mostram que um empresário gasta 2,6 mil horas por ano para pagar imposto, e não é trabalhando para gerar dinheiro para pagar o imposto, é em burocracia, em papel. Meu objetivo é reduzir para 200 horas, seguindo o padrão mundial. Temos que simplificar para ficarmos mais eficiente”, contou. Ele propõe criar o Imposto de Valor Agregado (IVA), que unificaria cobranças como PIS/Cofins, ICMS e ISS.

Meirelles defendeu também a aprovação rápida a reforma da Previdência nos moldes da apresentou quando era ministro da Fazenda de Temer e disse ser “fundamental para criarmos igualdade”

O ex-ministro defendeu ainda a maior concorrência no setor bancário com o estímulo e abertura às fintechs. Meirelles comandou a criação do Banco Original, do grupo J&F.

Com apenas 1% de intenções de votos, o pré-candidato fez um aceno aos eleitores e avanços econômicos de Lula ao dizer destacar sua participação no governo Lula, quando comandou o BC por oito anos, e atacou a ex-presidente Dilma Rousseff, que teria mudado completamente a direção do governo, gerando a crise.

Alvaro Dias (Podemos)

O senador paranaense defendeu em sua fala aos empresários a aprovação nos primeiros 100 dias de governo das reformas previdenciária, política e tributária, além de afirmar que impediria os reajustes diários da Petrobras nos combustíveis. Dias também disse que quer Legislativo e Ministério menores e mudanças nas indicações ao STF.

Último a falar no evento, o pré-candidato seguiu a linha dos seus concorrentes e disse que quer encaminhar as reformas logo no início do mandato com a aprovação de uma reforma tributária para “simplificar o modelo, reduzir os tributos, estabelecer regras”. Ele defendeu ainda escalonar as cobranças de impostos: “Os que podem mais, pagam mais, os que podem menos, pagam menos”

O senador também disse que quer rever a reforma da Previdência em tramitação no Congresso, mas garantiu alguns pontos essenciais. “(...) não há como evitar a idade mínima e a convergência entre os dois sistemas".

A diminuição da máquina pública também foi abordada pelo senador com “grande programa de privatizações”, além de buscar a redução no número de deputados e senadores para ter um Legislativo “mais enxuto” e a redução do número de ministérios. Essas propostas, segundo ele, fazem parte do “primeiro e maior desafio é o ajuste fiscal, o controle dos gastos públicos”.

Dias falou ainda sobre a redução do número de partidos para “seis ou sete” dentro da reforma política para ampliar a representação.

A Petrobras terá sua política de ajustes diários revogada, pois, segundo o senador, a companhia “é uma empresa estatal que deve trabalhar, primeiramente, para a nação e o consumidor brasileiro e, em segundo plano, ao seu principal acionista, a União”.

Em relação à reforma trabalhista, Dias a considerou positiva, mas disse que verificaria os compromissos que não foram executados.

O pré-candidato ainda disse que gostaria de ver os ministros do STF indicados por lista tríplice para eliminar “essa suspeição sobre decisões".

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Veja abaixo os vídeos publicados pela CNI com a íntegra das falas e debates com os pré-candidatos

Geraldo Alckmin, Marina Silva e Jair Bolsonaro

Henrique Meirelles, Ciro Gomes e Álvaro Dias