Petrobras abre em alta de mais de 6% com novo CEO; incertezas permanecem

jun 04, 2018

Investing.com - Após a forte queda da última sexta-feira, quando perdeu 14,85% com a renúncia de Pedro Parente do comando da Petrobras (SA:PETR4), as ações da estatal iniciam o pregão desta segunda-feira com ganhos de 6,13% a 17,15. Ainda na sexta-feira, o presidente Michel Temer indicou o engenheiro Ivan Monteiro como novo presidente-executivo.

A rápida definição buscou acalmar investidores em um cenário de uma possível interferência do governo na estatal. O movimento das ações representou uma perda de valor de mercado de cerca de R$ 45 bilhões para a estatal.

Para a Coinvalores, apesar do perfil técnico, ainda há muitas dúvidas com relação a sua gestão, sobretudo no que tange a autonomia. Segundo matéria de hoje do Valor Econômico, Monteiro estaria disposto a discutir a política de preços, mas, sob a condição de que os preços não percam o lastro frente a cotação internacional e que haja alguma forma de proteção frente às importações. A expectativa é que a periodicidade dos reajustes seja uma das principais mudanças. De toda forma, os analistas acreditam que as ações da companhia tendem a manter a elevada volatilidade no curto prazo, dado a maior percepção de risco e as inúmeras incertezas na seara política.

A XP Investimentos destaca que estaria em discussão a criação de um tributo flexível sobre combustíveis para amortizar o impacto da volatilidade de câmbio e petróleo nos preços finais. Ainda que diminuir a frequência dos reajustes não signifique o fim da política de preços, se confirmada, a notícia é negativa para a ação devido a menor previsibilidade das margens de refino da empresa e para o resultado financeiro como um todo.

Os analistas da corretora avaliam que, se a mudança para a gasolina for tomada por iniciativa da própria empresa, não está claro se a empresa teria direito a qualquer ressarcimento como no caso das mudanças para o diesel (obedecendo a lei das estatais). Por outro lado, a escolha de Monteiro foi apontada como positiva, mas dúvidas estruturais sobre o grau de independência da empresa permanecem.