Minoritários podem se unir contra modelo do acordo Boeing-Embraer, diz jornal

jul 27, 2018

O modelo de negócio proposto pela Boeing e Embraer (SA:EMBR3) para a criação de uma joint venture não agradou aos investidores minoritários da companhia brasileira. De acordo com a edição desta sexta-feira da Coluna do Broad, do Estadão, eles podem se reunir para mostrar posicionamento contrário à proposta.

A coluna lembra que o negócio já foi alvo de uma reclamação por parte de investidores junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), questionando o modelo apresentado pelas duas empresas. O principal questionamento é que a proposta na verdade é uma forma de aquisição disfarçada.

Os acionistas defendem que para a aquisição deve ser realizada uma oferta pública de aquisição (OPA) a todos os acionistas minoritários.

O tema é controverso e também deve ser discutido e analisado pelo Comitê Técnico da Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec), que representa acionistas minoritários com um conjunto de investimentos que supera R$ 600 bilhões.

No início do mês, a Embraer acertou um acordo com a norte-americana Boeing para formação de joint venture que vai envolver a área de aviação comercial da fabricante brasileira, em uma etapa de transformação do duopólio global de jatos para passageiros.

A nova companhia a ser criada após aval de autoridades que incluem o governo brasileiro, marcará a entrada da Boeing no segmento de aviões comerciais de menor porte e dará mais competição para os jatos CSeries, projetados pela canadense Bombardier e apoiados pela europeia Airbus.

O memorando de entendimentos assinado por Boeing e Embraer avalia as operações de aviação comercial da companhia brasileira, a principal divisão da terceira maior fabricante de aviões do mundo, em 4,75 bilhões de dólares. A Boeing terá 80 por cento da companhia resultante da transação, uma parcela avaliada em 3,8 bilhões de dólares. A Embraer, terceira maior exportadora do Brasil, ficará com os 20 por cento restantes da nova empresa.