Amanhã: Veja os 3 principais temas do mercado nesta terça-feira

jul 02, 2018

Investing.com - O Ibovespa acabou guiado pelo exterior e conseguiu marcar o terceiro pregão consecutivo de ganhos em um dia de volume fraco com investidores acompanhando o jogo da seleção brasileira na primeira parte do pregão.

O índice, que passou o dia todo em território negativo, acelerou na segunda parte do pregão e foi ao azul somente no fim para registrar ganhos de 0,11% aos 72.839 pontos acompanhando a melhora em Wall Street, com a notícia de que EUA não cogita sair da OMC.

O volume ficou em R$ 6,67 bilhões, 45% menor do que a média diária do ano de R$ 11,9 bilhões. A apatia é atribuída ao pouco número de operações durante a vitória do Brasil sobre o México nas oitavas de final da Copa do Mundo da Rússia.

O dólar avançou 0,9% e superou os R$ 3,90 em um pregão sem intervenção adicional do Banco Central, que só rolou 14 mil contratos de swaps que vencem em agosto, o equivalente a US$ 700 milhões.

O destaque do dia do Ibovespa foi a BRF (SA:BRFS3) que disparou 12,3% depois de anunciar uma reestruturação com a venda de R$ 5 bilhões em ativos neste segundo semestre. O Credit Suisse revisou a recomendação para ‘compra’.

A Eletrobras (SA:ELET3) saltou 7% com a visão do governo de que a liminar concedida na semana passada pelo ministro do STF Ricardo Lewandowski não afeta o leilão das distribuidoras marcado para 26 de julho. O papel operava perto das mínimas de 2 anos.

A maior queda do dia das ações listadas no Ibovespa veio das ações da Via Varejo (SA:VVAR11), com -3,9%, em sessão negativa para as varejistas. Magazine Luiza (SA:MGLU3) caiu 2% e a Lojas Americanas (SA:LAME4) perdeu 2,2%.

A curva de juros cedeu nesta segunda-feira, com recuo de 0,07 p.p para 8,25% no contrato com vencimento em janeiro de 2020, mesma queda do papel para janeiro de 2021, que encerrou com taxa de 9,23%. No contrato para janeiro de 2019, os juros caíram 0,05 p.p. para 6,785%.

A sessão mostrou a alta do dólar contra moedas emergentes com a tensão com a guerra comercial aumentando a aversão ao risco. O risco Brasil medido pelo CDS de 5 anos subiu para 275 pontos frente aos 270 do final da semana passada. O ETF MSCI para emergentes (NYSE:EEM) cedeu 0,99%.

Exterior ajuda

O impulso do Ibovespa hoje veio de Wall Street com a recuperação dos índices após uma abertura apontando para fortes perdas. O Dow 30 subiu 0,15% para 24.307 pontos, enquanto o S&P 500 ganhou 0,3% para 2.726 pontos. O Nasdaq valorizou 0,7% para 7.567 pontos.

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Veja os principais temas do calendário econômico que deverão movimentar o mercado nesta terça-feira:

1. Quórum para votar cessão onerosa?

O olhar dos investidores deverá se voltar para Brasília com a expectativa se haverá quórum para concluir a votação de lei sobre a cessão onerosa. A tentativa ocorre em meio à Copa do Mundo e às festas juninas, que se somam ao ano eleitoral para reduzir o interesse dos parlamentares em frequentar o Congresso.

O texto-base com critérios e autorização para que a Petrobras (SA:PETR4) venda áreas no pré-sal para outras petroleiras foi aprovado no mês passado na Câmara dos Deputados e falta a conclusão dos destaques para que o projeto seja encaminhado ao Senado.

A projeto atrai a atenção do mercado, pois o leilão dessas áreas viabiliza a conclusão da renegociação da cessão entre o governo e a Petrobras. Esse é um dos principais drivers para a ação da estatal neste ano e poderá render até US$ 28 bilhões ao caixa da companhia, segundo avaliação do ministro das Minas e Energia, Moreira Franco.

Após anos de negociação, o governo admitiu que a Petrobras é credora e o leilão deverá capitalizar a União para acertar o repasse à companhia.

A expectativa do governo era realizar a venda dos excedentes das áreas da cessão onerosa ainda este ano, em certame que poderia levantar entre R$ 80 bilhões e R$ 100 bilhões somente com a cobrança do bônus de assinatura do contrato. Decisão recente do TCU, contudo, poderá adiar o leilão para 2019.

Os ativos em questão fazem parte de negociação do governo e a Petrobras em 2010 para capitalização da empresa com R$ 74,8 bilhões com a cessão, sem concorrência, do direito de extrair 5 bilhões de barris de petróleo em áreas ainda não exploradas. A revisão do acordo estava prevista para ocorrer com a declaração de comercialidade dos campos, o que ocorreu em 2014.

Ainda na pauta da semana estão a conclusão da votação dos destaques do projeto do cadastro positivo e o pedido de urgência para viabilizar a venda de seis distribuidoras de energia da Eletrobras.

2. Índices de inflação na sequência

Nesta terça-feira, três índices de inflação serão conhecidos, abrindo caminho para a publicação do IPCA de junho na sexta-feira.

A Fipe publica de manhã o seu índice de preços ao consumidor (IPC-Fipe) com a expectativa do mercado de um leve avanço de 0,09%, desaceleração em relação aos 0,19% registrados em maio.

O IBGE informa o índice de preços ao produtor de maio e a Fundação Getulio Vargas anuncia o IPC-S das capitais.

Apesar de pouco acompanhado, os índices ajudam a modelar e corrigir as expectativas para o IPCA fechado do mês de junho, que será publicado pelo IBGE na sexta-feira. O índice de inflação oficial deverá mostrar forte aceleração absorvendo o impacto da greve dos caminhoneiros nos combustíveis e alimentos.

À tarde, o Ministério da Indústria e Comércio Exterior e Serviço publica a balança comercial de junho com expectativa de aumento para US$ 6,3 bilhões.

3. Bens duráveis, encomendas à indústria, estoques e meio feriado nos EUA

O volume de negociação de Wall Street deverá cair nesta terça-feira com o fechamento das bolsas às 14h, horário de Brasília, com a preparação para o feriado de independência dos EUA comemorado no dia seguinte.

O Departamento de Comércio divulga às 11h seu relatório sobre as encomendas de bens duráveis de junho e a expectativa do mercado é de queda de 0,6%. Enquanto as encomendas de bens de capital não-defesa excluindo aeronaves – que serve como um proxy para os planos de gatos das empresas – deverá mostrar um declínio de 0,3%.

As previsões de encomendas à indústria em maio devem mostrar um aumento de 0,1%, recuperando-se de um declínio de 0,8% no mês anterior.

Os mercados dos EUA tiveram um início positivo no segundo semestre do ano, apesar da ameaça de um aumento na retórica de guerra comerciais, uma vez que as tarifas norte-americanas sobre produtos importados chineses devem entrar em vigor em 6 de julho.

Os traders acompanharão ainda novos dados de estoques publicado pelo grupo privado American Petroleum Institute (API), que deverá mostrar queda pela quarta semana consecutiva.

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