Para BTG, aquisições não estão na pauta, de momento, da Amazon no Brasil

ago 29, 2018

Em não raras oportunidades o mercado especula sobre a expansão da Amazon (NASDAQ:AMZN) no Brasil e que esse processo se daria por meio de fusão ou aquisição de players já consolidados. Nomes como a Via Varejo (SA:VVAR11) e B2W Digital (SA:BTOW3) são constantemente ligados à gigante do e-commerce mundial.

No entanto, ao olhar para o histórico da companhia, o BTG Pactual (SA:BPAC11) conclui que essa não deve ser a opção, pelo menos não por enquanto. No momento, vale a regra: primeiro construir para depois comprar.

A estratégia de aquisições da Amazon ajudou a alimentar rumores de que a companhia americana adotaria a mesma prática no Brasil. Em março, o mercado especulou um possível acordo com a Casino para a compra da Via Varejo. No entanto, para o BTG, apesar de não ser possível dar 100% de certeza, essa não deve ser a estratégia da Amazon.

Os analistas do banco destacam que a Via Varejo passa por um processo de turnaround com o objetivo de integrar suas plataformas offline, com sistemas de ERP ainda sendo implementados. Além disso, passaria a ter que lidar com mais de mil lojas de varejo, aumentando a complexidade em um mercado já competitivo.

O BTG também não vê negócios com a B2W, Magazine Luiza (SA:MGLU3) e Mercado Livre como o Plano A da Amazon para o Brasil. Eles destacam que embora o mercado brasileiro seja complicado para estrangeiros e uma aquisição seria um atalho na consolidação no país, o foco atual dos investimentos deve se voltar à estrutura de atendimento e no fornecimento de serviços de alto nível.

Estratégia de aquisições

O BTG destaca que a maior parte do crescimento nos últimos anos da Amazon foi orgânico, tanto nos Estados Unidos, quanto no exterior. O mesmo vale para a expansão para novas regiões além da Europa.

Desde sua fundação, a Amazon adquiriu pelo menos 90 empresas. As operações deste tipo tiveram como característica acrescentar pelo menos um dos seguintes itens: (i) equipe de gestão financeira fantástica, (ii) inovações que possam ser aprendidas e replicadas em outros locais, como caso da Kiva Systems; e (iii) ativos que possam ajudar a melhorar os níveis de serviço em suas plataformas atuais e fornecem um banco de dados valioso de clientes, como o caso da Whole Foods.

Histórico

No início, as primeiras operações de fusão e aquisição da Amazon focaram em livros e segmentos musicais. A primeira aquisição foi de US$ 55 milhões, das companhias IMDb, Telebook e Bookpages.

Em 2009, adquiriu a varejista de calçados on-line Zappos, que era uma exceção à regra com uma abordagem ainda conservadora nesta frente até então.

Desde 2010, as aquisições da Amazon explodiram em tamanho e em número. Durante este período, gastou cerca de US$ 800 milhões para comprar a Kiva Systems, que fabrica robôs para os centros de atendimento da Amazon

O anúncio em junho do ano passado de que a gigante americana iria adquirir a varejista de alimentos Whole Foods por US$ 13,7 bilhões chamou a atenção de muitas áreas do varejo.

Essa aquisição deu à Amazon uma presença instantânea em uma das categorias de mais alta frequência. Assim, não apenas incentivará o aumento das vendas nas lojas, mas também dê a ele um rico banco de dados sobre os hábitos dos consumidores.

Em 2017, as aquisições da Amazon se distanciaram de seu padrão histórico, transformando-se em plataformas de inteligência, software de modelagem 3D e produtos de reconhecimento facial.

O BTG também destaca parcerias como a fechada na França com a Monoprix, que entregar as compras do Prime Now. O serviço começa a funcionar para membros na região de Paris ainda neste ano, incluindo produtos de marca própria e alimentos frescos. São 800 lojas em 250 cidades do país europeu.

Aquisições de destaque

2017 - Whole Foods – US$ 14,28 bilhões

2015 – aws elemental – US$ 666 milhões

2014 – Twitch – US$ 970 milhões

2012 – Kiva Systems – US$ 775 milhões

2011 – Love Film e Quidsi – US$ 812 milhões

2009 – Zappos.com – US$ 1,2 bilhão

2008 – Audible – US$ 300 milhões.