Para BB-BI, apesar de agosto positivo, construtoras mantiveram tendência de baixa

set 06, 2018

Agosto foi mais um mês negativo para a maior parte das companhias do setor imobiliário listadas na bolsa. Para o Banco do Brasil (SA:BBAS3) Investimentos (BB-BI), considerando o cenário ainda desfavorável para o setor, afetado pela baixa confiança dos consumidores e elevado nível de desemprego, os resultados divulgados em agosto foram positivos.

Apesar disso, os analistas destacam que os fatores não foram fortes o suficiente para reverter a tendência de queda das ações, já que há ainda pouca visibilidade sobre a evolução das vendas nos próximos trimestres em função da baixa recuperação do PIB brasileiro e o impacto de curto prazo ocasionado pela eleição presidencial em outubro, gerando volatilidade.

“Em linhas gerais, os resultados do segundo foram muito pouco impactados pela greve dos caminhoneiros, que gerou um pequeno atraso de obra em alguns canteiros menores localizados principalmente na cidade de São Paulo e também na redução de visitas em stand de vendas” explica o banco em relatório assinado por Georgia Jorge. “Contudo, algumas empresas tiveram seus lançamentos afetados negativamente pela suspensão do direito de protocolo na Cidade de são Paulo, como foi caso da Eztec (SA:EZTC3)”.

O BB-BI destaca que as companhias apresentaram melhorias nos indicadores operacionais na comparação anual, com aumento dos lançamentos e das vendas brutas e redução dos distratos (apesar de continuarem altos quando analisados como percentual das entregas), o que impactou positivamente as vendas líquidas.

Do lado dos indicadores financeiros, os analistas chamam a atenção para melhorias na comparação anual em termos de crescimento da receita líquida (em decorrência do avanço de obras lançadas no decorrer dos últimos trimestres que já tinham preço mais aderente ao momento atual e que contribuíram também para margens brutas e líquidas melhores).

A equipe também ressalta que a receita líquida de algumas companhias (Eztec e Cyrela (SA:CYRE3)), contudo, ainda vem sendo impactada pela redução do volume de lançamentos nos últimos dois anos e deverão apresentar melhorias só em 2019.

Em agosto, o Ibovespa teve uma queda moderada de 3,12% em linha com outros mercados emergentes, refletindo a elevação da percepção de risco (com o aumento de CDS, curva de juros e dólar), apesar do fluxo de capital estrangeiro ter permanecido positivo no mês.

Nesse cenário, as ações do setor imobiliário acompanharam o Ibovespa e apresentaram, em sua maioria, desvalorização no mês. A exceção ficou por conta da JHSF3 (SA:JHSF3) (devido à divulgação do fechamento de operação envolvendo a venda de participação da divisão de shoppings à XP Malls), a TEND3 (SA:TEND3) (que apresentou resultados referentes ao 2T18 acima das projeções do mercado), e a RNID3 (que divulgou a retomada dos lançamentos no segmento MCMV), que valorizaram no mês de agosto 11,2%, 10,9% e 5,2% respectivamente.