Brent perde 1% com Rússia e Arábia Saudita indicando aumento de produção

jun 14, 2018

Investing.com - Os preços do petróleo fecharam com leve alta nesta quinta-feira em meio à volatilidade dos comentários de representantes da Opep e da Rússia antes da reunião do cartel na próxima semana.

Na Bolsa Mercantil de Nova York, o contrato futuro do WTI para entrega em julho subiu US$ 0,25, para fechar na máxima de duas semanas a US$ 66,89 por barril, enquanto na Bolsa Intercontinental de Londres, o Brent cedeu 1,1% e encerrou a sessão negociado a US$ 75,92 o barril.

O movimento distinto nos dois benchmarks globais reduz o spread que tem persistido no mercado nas últimas semanas, alimentado as exportações norte-americanas e as operações de arbitragem.

Depois de uma manhã positiva com as cotações encostando nos US$ 77/barril, o Brent apagou os ganhos com os comentários da Rússia e Arábia Saudita de que a reunião da Opep deverá confirmar um aumento na produção global.

O ministro do Petróleo da Arábia Saudita, Khalid Al Falih, disse que "é inevitável" que o cartel e seus aliados concordem em aumentar a produção de petróleo na próxima semana, segundo a Bloomberg, e que essa elevação seria razoável e não seria nada "estranho".

O ministro de Energia russo, Alexander Novak, disse, após conversas com o ministro de Energia saudita, Khalid al-Falih, que as duas nações apoiam, "a princípio", a saída gradual do acordo.

"No geral, nós apoiamos isso... Mas os detalhes nós discutiremos com os ministros em uma semana", disse ele a repórteres, acrescentando que uma opção envolveria aumentar paulatinamente a produção em 1,5 milhão bpd, possivelmente começando em 1º de julho.

O possível – quase provável – aumento de produção global reacende os receios de que o reequilíbrio do mercado possa não ser atingido, com a crescente oferta superando a demanda, provocando aumento dos estoques e pressão sobre os preços.

Os dois países gigantes do petróleo global fazem um movimento de aumento na produção em um volume semelhante àquele que se espera de corte com o retorno das sanções norte-americanas ao Irã e o sucateamento da PDVSA, que vê a extração cair seguidamente.

Fora do acordo, os produtores dos EUA seguem batendo recorde de extração com cerca de 10,9 milhões de barris/dia, quase 15% acima dos 9,14 milhões de barris/dia no começo de 2017, quando o pacto da Opep teve início.

Ontem, contudo, o país indicou uma demanda fortalecida com a queda de 4,153 milhões de barris nos estoques da semana encerrada em 8 de junho, bem acima das expectativas para uma queda de 1,440 milhões de barris, de acordo com dados da Energy Information Administration (EIA).

As importações de petróleo dos EUA caíram 247 mil barris por dia (bpd) na semana passada para 8,1 milhões de barris por dia (bpd), enquanto as exportações subiram 300 mil bpd. As refinarias ampliaram em 3% o volume de petróleo processado e a demanda mostrou força com o recuo nos estoques de produtos.

Os estoques de gasolina recuaram 2,271 milhões de barris na semana passada, contrariando as expectativas de um aumento de 0,443 milhão de barris, enquanto os estoques de destilados – que inclui diesel e óleo de aquecimento – recuou 2,101 milhões de barris, superando as previsões de um aumento de 0,200 milhão de barris.

Com Reuters