Amanhã: Veja os 3 principais temas do mercado nesta sexta-feira

jul 19, 2018

A bolsa brasileira arrancou nos últimos minutos do pregão e fechou com leve alta depois de passar a sessão inteira no negativo, pressionado por notícias de novas tarifas entre Europa e Estados Unidos que contaminaram o humor dos investidores globais.

Depois de o principal índice recuar até os 75.889 pontos no intraday, os investidores partiram para as compras e estimulados com a notícia de que Alckmin ganhou a disputa com Ciro pelo Centrão e fizeram o Ibovespa avançar fortemente e fechar com leve alta de 0,16% aos 77.486 pontos.

O pré-candidato tucano surpreendeu ao conseguir conquistar os partidos do Centro e o mercado se animou com a notícia de que o PP teria decido fechar com o PSDB. Além de abrir espaço para o crescimento de Alckmin, a decisão isola Ciro Gomes mais à esquerda, limitando o espectro para seu crescimento.

Wall Street pesa com guerra comercial e fica de ollho em Trump

Os principais índices de Nova York fecharam com perdas de 0,5% no Dow 30 e 0,4% no S&P 500 e no Nasdaq, derrubando o humor dos investidores locais durante grande parte do dia. No radar do mercado está a notícia de que a União Europeia prepara uma retaliação se os EUA impuserem tarifa sobre automóveis.

À tarde, repercutiu no mercado a entrevista do presidente dos EUA, Donald Trump, à CNBC, na qual disse não “estar feliz” com o aumento de juros.

"Porque estamos elevando e, toda vez que se eleva, eles querem aumentar os juros de novo. Eu não estou feliz com isso. Mas ao mesmo tempo estou deixando-os fazerem o que acham que é melhor.", disse Trump, que complementou que o Fed poderá deixar os EUA “em desvantagem” em relação à Europa e Japão.

---

Veja os principais temas do calendário econômico que deverão movimentar o mercado nesta sexta-feira:

1. IPCA-15 e a dissipação do efeito da greve

Depois dos dados de indústria, comércio e serviço terem apresentado um tombo menor do que o previsto em maio – mostrando que o impacto da greve do setor de cargas não foi tão catastrófico quanto o previsto –, o mercado volta as suas atenções para entender a dissipação desses efeitos e a velocidade de recuperação.

Um dos primeiros sinais será recebido amanhã às 9h com a publicação do IPCA-15 de julho. A expectativa dos analistas é que o número calculado pelo IBGE mostre um arrefecimento dos preços após a disparada dos combustíveis, alimentos e transporte com a greve.

O consenso aponta para um número de 0,75%, abaixo dos 1,11% registrados em junho, que abrangeu o pior momento da paralisação. Apesar da desaceleração, o número ainda seria o mais forte desde maio de 2016, sem considerar o dado do mês passado.

Nos 12 meses, a aposta é de que o IPCA-15 mostrará avanço para 4,64% dos 3,68% no mês passado. Em maio, o número estava em 2,7%.

Os analistas interpretarão os dados de inflação em busca de sinais de que os efeitos da greve serão transitórios e a pressão sobre preços se dissipará rapidamente. Os próximos dados ajudarão a entender o impacto sobre a recuperação e o crescimento da economia que deram sinais de fraqueza neste ano.

2. Começam as convenções partidárias e Alckmin avança

Os próximos dias deverão ser intensos no noticiário político com a definição das coalizões e apoios partidários para a disputa da presidência da República.

A semana foi recheada de boas notícias para o pré-candidato tucano, Geraldo Alckmin, que aparenta ter assegurado o apoio do chamado Centrão, em uma disputa com Ciro Gomes.

No final do pregão, a notícia de que o PP teria definido apoiar Alckmin fez o Ibovespa disparar e romper o equilíbrio para fechar no azul depois de um pregão em território negativo.

O aceno do PP deverá ser seguido pelos demais partidos do Centrão e a expectativa é o DEM, outro líder do grupo, anuncie a opção pelo tucano.

Os partidos estavam mais inclinados a fechar o apoio do centro ao Ciro Gomes, melhor colocado nas pesquisas, mas declarações recentes do pré-candidato desagradaram os partidos e negociações de bastidores fizeram Alckmin avançar na preferência.

Enquanto isso, o líder nas pesquisas Jair Bolsonaro não conseguiu fechar alianças e acabou isolado na direita pelo avanço de Alckmin. O candidato do PSL possui pouco tempo de televisão e alcance regional restrito por pertencer a um partido de pouca capilaridade e estrutura.

A primeira convenção será realizada amanhã pelo PDT, seguido pelo PSL, no domingo. PSDB, PT, Rede, MDB e Podemos decidiram deixar suas convenções para o início de agosto.

Apesar de ter pouca influência nas pesquisas eleitorais de curto prazo, a garantia de apoio poderá impulsionar a exposição do candidato durante a campanha oficial, com a multiplicação dos palanques regionais.

3. Contagem de sondas nos EUA e recuperação de preços do petróleo

A contagem semanal de sondas sob contrato nos EUA realizado pela Baker Hughes será publicado nesta na sexta-feira.

O último dado disponível de contagem de sondas ficou estável em 863 e é um indicador da produção futura dos EUA, que na semana passada bateu um recorde histórico.

A extração de petróleo dos EUA aumentou em 100.000 barris para o máximo de 11 milhões de barris por dia, informou a agência de energia dos EUA na quarta-feira.

O contrato do WTI para entrega em agosto, que expira nesta sexta-feira, subiu hoje US$ 0,70, ou 1%, para US$ 69,46, em meio a notícias de queda de estoques nos EUA e na exportação da Arábia Saudita.

Os preços, no entanto, devem registrar uma segunda redução semanal após pressões na segunda-feira por comentários do secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, indicando que os EUA poderão fornecerem isenções a compradores do petróleo iraniano.

---

Veja todos os eventos que poderão mexer com o mercado no calendário econômico do Brasil