Cemig sobe mais de 2% com interesse da State Power na usina Santo Antonio

out 11, 2018

De acordo com o jornal O Valor, a chinesa State Power Investment Corporation (SPIC) deve apresentar nas próximas semanas uma proposta vinculante pelas participações de Odebrecht, Cemig (SA:CMIG4) e Andrade Gutierrez na hidrelétrica de Santo Antonio, no rio Madeira (RO). Com isso, as ações da estatal mineira saltam 2,33% a R$ 10,11.

Para a Mirae Asset, a notícia é ligeiramente positiva para a Cemig, que já divulgou no passado a intenção de vender a sua participação em Santo Antonio, para reduzir a sua alavancagem.

Todavia, no momento, apontam que o que deve garantir a tendência de alta para a CMIG4, que no mês acumula uma alta de 38%, é o resultado da eleição para governador no estado de Minas Gerais. A recomendação é de compra, com preço justo a R$ 10,23.

De acordo com o jornal, a proposta da SPIC avaliará a usina em cerca R$ 3,5 bilhões, valor relativamente baixo, mas que leva em conta a condição financeira da companhia. Como Furnas, que tem 41%, não deverá vender sua participação, o desembolso para os demais sócios seria de pouco mais de R$ 2 bilhões.

A chinesa deve injetar no mínimo R$ 1 bilhão na Saesa após aquisição, além de renegociar a dívida com o BNDES. Apesar de gerar caixa desde que a hidrelétrica entrou em operação, os recursos não são suficientes sequer para pagar o custo da dívida e seus compromissos regulares.

Ao fim de junho, a Santo Antonio Energia tinha R$ 14,9 bilhões em dívidas, capital de giro negativo em R$ 992,5 milhões e relação entre dívida líquida e Ebitda de 13,1x - ante a média de 2,5x no setor de geração de energia. No ano passado, as negociações com a SPIC foram suspensas porque os sócios da usina discordavam das condições propostas, principalmente em relação ao valor que seria efetivamente pago à vista.

A proposta na mesa avaliava a usina em R$ 6 bilhões, mais um percentual vinculado ao cumprimento de algumas condições de desempenho, como as arbitragens na qual está envolvida. Desde então, porém, o ativo se deteriorou.

Para os sócios, passou valer a pena vender mesmo que por um preço menor A SPIC, por sua vez, deve fazer nova due diligence no ativo.