Captações e projetos são adiados por incertezas políticas, dizem CEOs

set 04, 2018

O atual ambiente de incertezas políticas tem dificultado o acesso das empresas à captação de capitais e adiado projetos. A afirmação é de CEOs que participaram de debate no Congresso Brasileiro de Mercado de Capitais 2018.

“Estamos trabalhando com um cenário de 45 dias e isso não pode ocorrer”, afirmou o Piero Minardi, sócio diretor na Warburg Pincus sobre a falta de previsibilidade no ambiente político com a indefinição eleitoral. Apesar do cenário adverso, o executivo afirmou que a economia brasileira é sólida. “Não vamos ser uma Argentina”.

A expectativa de melhora é compartilhada por Eugênio Mattar, CEO da Localiza (SA:RENT3). “Vai ser muito difícil alguém conseguir ser pior que o governo atual e o anterior”.

Os executivos comentaram que a volatilidade vista no mercado de capitais acaba adiando projetos na expectativa de um ambiente mais estável para avaliação mais correta de ativos. “Quem não precisa acessar [o mercado], deve esperar”, disse

As dúvidas em relação à política que será adotada no país a partir de 2019 também afugenta o investidor estrangeiro, essencial para a captação das empresas brasileiras. “Mostrar estabilidade de regras ajuda a atrair os estrangeiros, pois Brasil ainda é visto com muita incerteza. O investidor não vem porque o Brasil é um mercado atrativo, mas sim como uma diversificação em emergentes”, afirma Minardi.

O Congresso Brasileiro de Mercado de Capitais 2018 é patrocinado pelo e acontece nos dias 3 e 4 de setembro, no Memorial da América Latina, em São Paulo. O evento é organizado pela Anbima e a B3 e reúne representantes dos principais players do mercado brasileiro, com objetivo de traduzir a relevância do nosso mercado de capitais.

Com a presença de palestrantes de renome nacional e internacional, o congresso pretende discutir as oportunidades, as perspectivas e o futuro do mercado de capitais, importante meio para o desenvolvimento econômico.