Calendário Econômico - 5 principais eventos desta semana

ago 12, 2018

Investidores continuarão concentrados na crescente crise cambial da Turquia e nas consequências nos mercados globais na semana que vem para ver se mais notícias se materializam depois que as últimas sanções de Washington contra Ancara abalaram a lira e desencadearam a saída de ativos mais arriscados.

Além disso, o foco do mercado estará sintonizado com as próximas possíveis etapas na disputa comercial entre os EUA e a China.

Temores relativos à guerra comercial estão fervendo há meses, mantendo os ganhos do mercado limitados, já que investidores estão preocupados com a perspectiva de que uma nova escalada nas tensões entre as duas maiores economias do mundo teria impacto no crescimento econômico.

Com relação a dados, os números de vendas no varejo dos EUA para julho serão divulgados na quarta-feira, o que deve dar sinais mais claros sobre a força do consumidor americano no início do segundo semestre do ano.

Há também cerca de 10 empresas constituintes do S&P 500 informando resultados nesta semana em Wall Street, já que a temporada de resultados começa a se acalmar, com grandes nomes de varejistas como Home Depot , Macy's e Walmart entre os destaques.

Além disso, a China também apresentará dados importantes, incluindo os relativos à produção industrial na terça-feira, que serão observados em busca de quaisquer sinais de danos causados pela disputa comercial atual com os EUA.

Já na Europa, investidores terão acesso aos últimos dados de inflação, de emprego e de vendas no varejo do Reino Unido e, assim, irão obter mais indicações sobre o efeito contínuo que a decisão do Brexit está tendo sobre a economia.

Antes da semana que está por vir, a compilou uma lista com os cinco maiores eventos do calendário econômico com grandes chances de afetar os mercados.

1. Transbordamento de turbulência na Turquia?

A lira caiu mais de 20% por pouco tempo e atingiu a mínima recorde na sexta-feira, enquanto mercados globais cambaleavam, já que investidores estavam assustados com o fato de que o colapso da moeda turca poderia se espalhar pelos mercados emergentes e atingiria o sistema bancário europeu.

A lira encerrou em baixa em torno de 15% em relação ao dólar, seu pior dia desde a crise financeira da Turquia em 2001, devido a uma profunda discussão com os Estados Unidos.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que dobraria as tarifas sobre o aço e o alumínio turcos depois de impor sanções dos EUA no início da semana por conta da prisão de Andrew Brunson, um pastor americano detido em 2016. Autoridades turcas acusam Brunson de apoiar uma tentativa fracassada de golpe no início daquele ano.

O presidente da Turquia, Recip Tayyip Erdogan, não ofereceu nenhum alívio econômico ao se pronunciar na sexta-feira, declarando que "eles têm seu dólar, nós temos o nosso deus".

Erdogan também pediu aos cidadãos que "trocassem os euros, os dólares e o ouro que você guarda embaixo de seus travesseiros em lira", observando que essa é "uma luta doméstica e nacional".

Somando-se aos problemas de moeda de mercados emergentes estava o rublo russo, que caiu para o seu menor desde abril de 2016 em relação ao dólar devido a ameaças de novas sanções dos EUA por conta do suposto envolvimento do Kremlin no envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal com o agente químico Novichok no início deste ano na cidade rural inglesa de Salisbury.

As preocupações geopolíticas surgem enquanto os EUA estão envolvidos em uma guerra comercial com a China. Ambos os governos anunciaram a possibilidade de impor tarifas retaliatórias sobre mais US$ 16 bilhões em mercadorias na semana passada.

2. Vendas no varejo dos EUA

O Departamento de Comércio dos EUA divulgará dados de fevereiro sobre vendas no varejo às 09h30 da próxima quarta-feira.

O consenso das previsões indica que o relatório mostrará que as vendas no varejo subiram 0,2% no mês passado após terem tido aumento de 0,5% em março

Excluindo o setor automotivo, espera-se que as vendas tenham aumento de 0,4%, após terem tido aumento no mesmo percentual um mês antes.

Vendas no varejo crescentes com o tempo estão relacionadas com crescimento econômico mais forte, ao passo que vendas fracas sinalizam economia em declínio. Os gastos dos consumidores são responsáveis por cerca de 70% do crescimento econômico norte-americano.

Além do relatório de vendas no varejo, o calendário desta semana também trará dados norte-americanos sobre alvarás de construção, construção de novas casas, produção industrial, e também estudos sobre as condições manufatureiras nas regiões de Filadélfia e Nova York.

Economistas reconhecem que os dados pouco farão para alterar as expectativas de que o Federal Reserve aumentará as taxas de juro mais duas vezes neste ano, com o próximo movimento de alta na sua reunião de setembro.

3. Varejistas são destaque em última grande semana de resultados

Embora apenas 10 empresas constituintes do S&P 500 deverão divulgar seus resultados financeiros nesta semana, as varejistas só estão começando agora na que será a última grande onda da temporada de resultados do primeiro trimestre.

Home Depot (NYSE:HD) inicialmente dará início ao divulgar seu balanço na terça-feira; resultados de Macy’s (NYSE:M) estão na agenda de quarta-feira, ao passo que Walmart (NYSE:WMT), maior varejista do mundo, deverá apresentar seus números na quinta-feira.

[parcial]Nordstrom (NYSE:JWN), JC Penney (NYSE:JCP) e Children's Place (NASDAQ:PLCE) estão entre outras importantes varejistas a apresentaram balanços nesta semana.

Outros nomes de alto perfil a divulgarem seus números nesta semana incluem NVIDIA (NASDAQ:NVDA), Deere (NYSE:DE) e Cisco (NASDAQ:CSCO).

Esta temporada de resultados foi mais forte do que os analistas esperavam. Quase 90% das empresas constituintes do S&P 500 apresentaram balanços trimestrais até o momento. Dessas empresas, 76% relataram lucros acima do esperado.

4. Produção industrial da China

A China deverá divulgar os números da produção industrial em junho na manhã de quarta-feira.

O consenso entre os analistas é de que os dados mostrarão que a produção industrial da China cresceu 6,3%, acelerando a partir de um ganho de 6,0% no mês anterior.

Ao mesmo tempo, a nação asiática divulgará relatórios de agosto sobre investimento em ativos fixos e vendas no varejo.

Dados recentes começaram a mostrar que a segunda maior economia do mundo pode estar perdendo fôlego, levantando preocupações sobre as consequências potenciais de uma guerra comercial entre a China e os EUA.

5. Números da inflação do Reino Unido

O Escritório de Estatísticas Nacionais do Reino Unido (ONS, na sigla em inglês) divulgará dados sobre a inflação dos preços ao consumidor em julho na próxima quarta-feira às 05h30.

Os analistas esperam que o IPC anual suba para 2,5%, um pouco mais rápido que o aumento de 2,4% observado em junho, enquanto o núcleo da inflação deve se manter estável em 1,9%.

Além do relatório de inflação, investidores irão se concentrar nos dados mensais de emprego e vendas no varejo, que devem ser divulgados na terça e na quinta-feira, respectivamente, na busca de mais indicações sobre a saúde da economia.

A economia da Grã-Bretanha acelerou no segundo trimestre após uma forte desaceleração no inverno no início do ano, conforme mostraram dados oficiais no final da semana passada.

No entanto, investidores levaram a libra para seu menor valor em um ano contra o dólar, com a probabilidade de um Brexit sem acordo, ou duro, se aproximando.

Com menos de oito meses até a Grã-Bretanha deixar a União Europeia, o governo ainda não chegou a um acordo de divórcio com Bruxelas e começou a falar mais publicamente sobre a possibilidade de deixar o bloco sem qualquer acordo formal sobre o que acontecerá em seguida.

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