Calendário Econômico - 5 principais eventos desta semana

jul 29, 2018

A semana que se inicia será dominada por vários eventos mobilizadores de mercado, com a decisão de política monetária do Federal Reserve, relatório de empregos de julho e resultados da Apple na agenda.

Os mercados também estão de olho na Europa devido a especulações generalizadas de que o Banco da Inglaterra finalmente aumentará as taxas de juros acima de seus níveis de emergência estabelecidos há mais de nove anos.

Já na Ásia, espera-se que a reunião de política do Banco do Japão seja um ponto focal para os investidores após uma rumores de que a instituição poderá começar a reduzir seu enorme estímulo monetário.

Enquanto isso, investidores acompanharão de perto as disputas comerciais atuais entre os EUA e as principais economias, como a China e a União Europeia, para ver se mais alguma notícia se materializa.

Os EUA deverão implementar tarifas sobre US$ 16 bilhões em produtos chineses na quarta-feira e a China deve impor tarifas sobre a mesma quantidade de produtos americanos em troca. Essas tarifas fazem parte de um pacote maior de US$50 bilhões que havia sido implementado no início de julho.

As negociações comerciais entre as duas maiores economias do mundo estagnaram e ainda não foram retomadas, segundo autoridades chinesas e norte-americanas familiarizadas com o assunto.

Ao mesmo tempo, as preocupações com uma guerra comercial transatlântica diminuíram um pouco depois de uma reunião positiva na semana passada entre o presidente Donald Trump e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

A administração Trump também estava fazendo progresso com o México e o Canadá em direção a uma revisão do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA, na sigla em inglês).

Os temores relativos à guerra comercial estão em ebulição há meses, mantendo os ganhos do mercado limitados, já que investidores estão preocupados com as perspectivas de que uma nova escalada nas tensões tenha impacto no crescimento econômico.

Antes da semana que está por vir, a compilou uma lista com os cinco maiores eventos do calendário econômico com grandes chances de afetar os mercados.

1. Decisão do Federal Reserve sobre a taxa de juros

O Federal Reserve não deve realizar qualquer ação sobre as taxas de juros na conclusão de sua reunião de política monetária de dois dias às 15h00 da próxima quarta-feira, mantendo-as na faixa de 1,75% a 2,0%.

O banco central divulgará sua declaração após a reunião e os investidores buscarão quaisquer indicações se a instituição irá prosseguir com aumentos de juros em setembro e novamente em dezembro.

O Fed fez projeções de que irá aumentar as taxas mais duas vezes em 2018 e já realizou dois aumentos neste ano.

Jerome Powell, presidente do Fed, disse recentemente que a situação favorável a aumentos graduais e contínuos da taxa de juros continua forte, sinalizando que os custos de crédito continuarão a subir este ano apesar da recente volatilidade do mercado causada pela disputa comercial entre EUA e China.

Operadores de futuros apostam em cerca de 90% de chances de aumento da taxa de juros em setembro, de acordo com o Monitor da Taxa da Reserva Federal do . Apostas de um quarto aumento em dezembro estão em cerca de 70%.

2. Relatório de Empregos dos EUA

Há uma grande quantidade de relatórios econômicos nesta semana, já que o calendário rola de julho para agosto, com os dados mensais de emprego em destaque.

O Departamento de Trabalho dos EUA divulgará seu relatório de julho sobre folhas de pagamento não agrícolas na próxima sexta-feira às 09h30 e a atenção sobre ele será dada mais sobre o que será dito quanto a salários do que quanto a contratações.

O consenso das projeções é de que os dados mostrarão que houve acréscimo de 190.000 empregos no mês na sequência do aumento de 213.000 em junho, ao passo que a taxa de desemprego tem projeções de cair para 3,9% a partir de 4,0%.

Entretanto, a maior parte das atenções provavelmente se voltará aos números relativos à média de ganhos por hora, que devem ter subido 0,3% após um aumento de 0,2% no mês anterior. Em base anual, as projeções para os salários são de aumento de 2,8%, o mesmo aumento de junho.

O calendário desta semana também traz dados norte-americanos sobre renda pessoal e gastos pessoais, no qual estão incluídos os dados da inflação das despesas de consumo pessoal, a métrica preferida do Fed para a inflação.

Dados de primeira linha sobre confiança do consumidor do CB, folhas de pagamento do setor privado da ADP, vendas de automóveis, balança comercial, gastos com construção e os estudos do ISM sobre a atividade no setor industrial e no setor de serviços também estarão na agenda.

3. Apple destaca outra semana cheia de balanços

Cerca de um quarto das empresas constituintes do S&P 500 deverão divulgar seus balanços financeiros nesta semana, que será a última grande semana da temporada de resultados do segundo trimestre.

A Apple (NASDAQ:AAPL) receberá mais atenção quando apresentar seus números na terça-feira após o fechamento. A fabricante do iPhone segue uma série de ganhos de tecnologia que foram amplamente positivos, com as exceções gritantes da Netflix (NASDAQ:NFLX), Facebook (NASDAQ:FB) e Twitter (NYSE:TWTR), que sofreram vendas massivas após projeções decepcionantes.

Alguns de outras nomes importantes a divulgarem resultados nesta semana são Caterpillar (NYSE:CAT), Loews (NYSE:L), AK Steel (NYSE:AKS), Procter & Gamble (NYSE:PG), Pfizer (NYSE:PFE), Baidu (NASDAQ:BIDU), Sprint (NYSE:S), Tesla (NASDAQ:TSLA), Square (NYSE:SQ), Wynn Resorts (NASDAQ:WYNN), Teva (NYSE:TEVA), DowDuPont (NYSE:DWDP), Shake Shack (NYSE:SHAK) e Kraft Heinz (NASDAQ:KHC).

4. Anúncio de política monetária do Banco da Inglaterra

O Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) anunciará sua decisão sobre a taxa de juros às 09h00 da próxima quinta-feira. Se tudo correr conforme o esperado, o banco central britânico irá elevar as taxas para 0,75%, indo além do aumento de novembro para 0,5%.

Seria simbólico, já que as taxas do BoE ficariam acima das mínimas de emergência devido ao colapso financeiro global de 2007-2008 pela primeira vez, mas com um Brexit potencialmente confuso se aproximando, o presidente da instituição, Mark Carney, pode parecer cauteloso a respeito de futuras movimentações.

Os mercados não estão precificando outro aumento por pelo menos um ano.

Além do BoE, investidores também manterão foco em relatórios sobre a atividade nos setores da indústria, da construção civil e de serviços à procura de mais indicações sobre o efeito contínuo que a decisão do Brexit está tendo sobre a economia.

Os termos do futuro relacionamento da Grã-Bretanha com a União Europeia ainda não estão claros oito meses antes do Brexit e a primeira-ministra, Theresa May, ainda pode ser destituída por seu próprio Partido Conservador, que está dividido em quão perto o país deve permanecer do bloco.

5. Anúncio de política monetária do Banco do Japão

Espera-se amplamente que o Banco do Japão comece a preparar mercados para algumas mudanças em sua política monetária única e ultrafrouxa na conclusão de sua reunião de dois dias na terça-feira.

Informações divulgadas na imprensa na semana passada indicaram que o banco central está agora considerando ajustar seu massivo programa de estímulo para torná-lo mais sustentável, como permitir maiores oscilações nas taxas de juros e ampliar sua seleção de compra de ações.

As mudanças, embora pequenas, seriam as primeiras desde 2016 e o mais recente sinal de que Haruhiko Kuroda, presidente da instituição estaria gradualmente se afastando de seu programa de estímulo radical implantado há cinco anos para retirar a mentalidade deflacionária do público.

Depois de meia década de impressão de dinheiro não ter conseguido inflamar a inflação, o Banco do Japão está sob pressão para enfrentar o aumento dos custos de flexibilização prolongada, como o impacto de taxas próximas de zero nos lucros bancários, o que exigiria aumento das taxas.

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