Calendário Econômico - 5 principais eventos desta semana

jun 17, 2018

Investing.com - Sem grandes relatórios econômicos e notícias sobre balanços na semana que se inicia, manchetes relacionadas ao comércio provavelmente movimentarão os ânimos depois que o governo Trump anunciou novas tarifas sobre o equivalente a US$ 50 bilhões em produtos importados da China e Pequim ameaçou responder da mesma forma.

Mercados financeiros do mundo inteiro provavelmente voltarão suas atenções ao evento "Forum on Central Banking" do Banco Central Europeu, que ocorrerá em Portugal, durante a próxima semana, com um painel de debates incluindo dirigentes de bancos centrais da Europa, dos EUA e do Japão em destaque.

Ainda sobre bancos centrais, espera-se que o Banco da Inglaterra mantenha as taxas de juros inalteradas, mas o foco estará sobre as indicações relativas à sua próxima reunião em agosto, na qual os mercados acreditam haver cerca de 50% de chances de um aumento de juros.

Enquanto isso, participantes do mercado irão analisar os dados de estudos sobre a atividade empresarial da zona do euro para avaliar se a economia da região está apenas enfrentando um momento de fraqueza ou está entrando em um declínio mais duradouro.

Também digno de nota, mercados de energia se concentrarão na amplamente esperada reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo para ver se os maiores produtores de petróleo têm planos de estender seu acordo atual de cortes na produção.

Antes da semana que está por vir, a Investing.com compilou uma lista com os cinco maiores eventos do calendário econômico com grandes chances de afetar os mercados.

1. Tensões comerciais entre EUA e China

A retórica comercial manterá os investidores em alerta depois que o presidente Donald Trump anunciou tarifas pesadas sobre o equivalente a US$ 50 bilhões em produtos importados da China na sexta-feira, levando Pequim a alertar quanto a uma resposta semelhante.

Trump apresentou uma lista de mais de 800 produtos estrategicamente importantes da China que estariam sujeitos a uma tarifa de 25% a partir de 6 de julho, incluindo carros, na última posição linha dura no comércio feita por um presidente dos Estados Unidos que já está em disputas com aliados.

O Ministério do Comércio da China disse que responderia com tarifas "da mesma escala e força" e que quaisquer acordos comerciais anteriores com Trump estavam "inválidos". A agência oficial de notícias Xinhua disse que a China irá impor tarifas de 25% sobre 659 produtos norte-americanos, desde soja e automóveis até frutos do mar.

Trump disse em um comunicado que os EUA irão prosseguir com tarifas adicionais se a China retaliar.

Washington e Pequim pareciam estar cada vez mais se dirigindo para uma guerra comercial depois que várias rodadas de negociações não conseguiram resolver as queixas dos EUA sobre a política industrial chinesa, o acesso ao mercado do país e um déficit comercial de US$ 375 bilhões.

2. "Forum on Central Banking" do BCE

O quinto evento anual do Banco Central Europeu chamado "Forum on Central Banking" (fórum sobre bancos centrais, em tradução livre) deve acontecer em Sintra, Portugal, entre segunda e quarta-feira.

Será um evento focado em preços e salários em economias avançadas.

Durante os três dias de sessões e painéis, aproximadamente 150 dirigentes de bancos centrais, acadêmicos, jornalistas financeiros e representantes de alto nível do mercado financeiro compartilharão pontos de vista sobre questões de política monetária atuais e discutirão tópicos o tópico escolhido a partir de uma perspectiva de longo prazo.

O destaque da reunião de cúpula provavelmente será o painel de debate de quarta-feira incluindo Mario Draghi, presidente do BCE, Jerome Powell, presidente do Federal Reserve e Haruhiko Kuroda, presidente do Banco do Japão.

Todos os três tiveram seu momento no centro das atenções na semana passada em reuniões de seus próprios bancos centrais.

O Banco do Japão manteve a política monetária inalterada na sexta-feira e ofereceu uma visão mais fraca sobre a inflação do que em abril, sinalizando que não terá pressa em reduzir seu massivo programa de estímulo.

Entretanto, na quinta-feira, o BCE na quinta-feira indicou que não irá aumentar as taxas de juros até o verão de 2019. A orientação inesperadamente pacífica do banco quanto às taxas de juros ofuscou sua declaração de que pretendia encerrar seu massivo programa de estímulo no final deste ano.

O Fed, por outro lado, elevou as taxas de juros pela segunda vez este ano na quarta-feira e adotou um tom um pouco mais agressivo em termos de política monetária ao sinalizar mais dois aumentos dos juros até o final do ano em vez de apenas um movimento adicional como era anteriormente esperado.

3. Anúncio de política monetária do Banco da Inglaterra

Espera-se amplamente que o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) mantenha sua política monetária inalterada ao se reunir nesta semana, embora a maior parte do foco estará sobre sinais a respeito do apetite de mais aumentos de juros em 2018.

Uma decisão está prevista para 09h00 de quinta-feira, sem entrevista coletiva, embora Mark Carney, presidente do BoE, irá fazer um discurso no jantar anual de banqueiros na Mansion House, em Londres, na mesma noite.

Uma pesquisa da Reuters com economistas publicada no início deste mês mostrou que as expectativas são de que o banco central britânico deve elevar os juros em agosto, mas a decisão não estaria definida uma vez que os decisores esperam a confirmação de que a economia já deixou para trás a desaceleração do início de 2018.

O BoE afirmou que quer ter certeza de que a economia se recuperou da quase estagnação em um início de ano excepcionalmente frio em 2018 antes de avançar com seu segundo aumento de juros desde antes da crise financeira global.

Mercados financeiros estão precificando em pouco mais de 50% as chances de um aumento em agosto, quando o BoE atualiza suas projeções econômicas e realiza uma entrevista coletiva.

4. PMIs da zona do euro

O Índice da Atividade dos Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do IHS Markit para a zona do euro deve ser divulgado às 05h00 da sexta-feira, em meio a expectativas de um pequeno declínio para 53,9, o que seria a leitura mais baixa em quase dois anos.

O índice mede a produção combinada dos setores da indústria e de serviços e é visto como um bom guia sobre a saúde econômica geral.

Antes dos PMIs da zona do euro, França e Alemanha divulgarão seus próprios relatório de PMI às 04h e 04h30, respectivamente, em horário de Brasília.

Uma onda de frio de fevereiro a março, feriados de Páscoa mais tarde do que o normal e greves tiveram peso no primeiro trimestre, mas dados concretos não apontaram para uma recuperação clara, aumentando a preocupação com a força da economia europeia.

5. Reunião da OPEP

Ministros do petróleo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), da Rússia e de outros importantes produtores se reunirão em Viena na quinta e na sexta-feira para reverem seu acordo atual sobre a produção.

A maioria dos analistas de mercado espera que o cartel de petróleo considere alterar o acordo de produção que tem reduzido a produção em 1,8 milhão de barris por dia do mercado nos últimos 18 meses.

A Rússia tem pressionado pela volta de um milhão de barris por dia de volta ao mercado com relativa rapidez. No entanto, a Arábia Saudita gostaria de tentar uma quantidade menor para evitar que o preço caia muito, disseram especialistas.

Porém, nem todos os membros da Opep concordam. Irã, Venezuela e Iraque disseram que o atual acordo de produção deve permanecer em vigor como está.

A cotação do petróleo sofreu um golpe na sexta-feira, perdendo cerca de 4%, já que os investidores antecipavam uma maior oferta global.

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