Após fracassar com alianças, Bolsonaro pode ter Janaína Paschoal como vice

jul 19, 2018

Na véspera da data que marca o início do período das convenções partidárias, o pré-candidato do PSL à presidência, Jair Bolsonaro, encontra dificuldades para montar uma chapa. A aliança com o deputado já foi rejeitada por dois partidos, surgindo agora a possibilidade de uma solução caseira com Janaína Paschoal.

A advogada, também filiada ao PSL, ganhou notoriedade por ter sido uma das autoras do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Seu nome passou a ser cotada após fracassar as negociações com o PR e PRP para a formação de uma chapa.

Em entrevista para Rádio Eldorado, Janaína ressaltou que ainda não recebeu o convite formal para compor a chapa, mas mostrou otimismo com a possibilidade dizendo que a dupla Bolsonaro-Janaína será para revolucionar o país.

A advogada disse que ainda não conhece o deputado pessoalmente, apenas tendo conversado por telefone quando se filiou à sigla. A negativa do PRP de indicar o general da reserva Augusto Heleno Ribeiro como vice em sua chapa fez com seu nome passasse a encabeçar a lista para o cargo.

Se por um lado a negativa do PR e PRP praticamente deixam o PSL sem tempo na televisão, estimado agora em oito segundos no horário eleitoral, o fato pode ser usado como um trunfo por Bolsonaro. Seria, na visão de analistas políticos ouvidos pela rádio CBN, uma forma de mostrar que o deputado não está disposto a fazer alianças espúrias para chegar ao poder. Além disso, a escolha de Janaína seria uma resposta para aqueles que o consideram misógino.

Jair Bolsonaro lidera as intenções de voto no cenário sem a presença de ex-presidente Lula, no entanto vê sua pontuação nas pesquisas oscilando entre 18% a 21%, a depender dos adversários, situação que permanece estável nos últimos meses.

Convenções

Ainda com o cenário das coligações indefinido, os partidos políticos iniciam nesta sexta-feira (20) as convenções nacionais que vão decidir os candidatos à Presidência da República, nas eleições de outubro. Os nomes dos candidatos a presidente e a vice têm que ser aprovados nas convenções até 5 de agosto e registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 15 de agosto.

Neste momento, há 18 pré-candidatos, mas esse número já foi superior a 20 - alguns desistiram no meio do caminho, outros foram barrados pelos partidos políticos. O total de candidatos poderá ser menor, já que alguns partidos, como o DEM, o SD e o PCdoB, estão sendo provocados a desistir da candidatura própria para apoiar chapas mais competitivas.

Três partidos - PDT, PSC e PCB - têm reuniões marcadas para esta quinta-feira. Em Brasília, os convencionais do PDT e do PSC vão decidir se confirmam as candidaturas de Ciro Gomes e Paulo Rabello de Castro, respectivamente. Ciro e Rabello ainda não têm nomes para vice. O PCB se reunirá no Rio de Janeiro, mas não terá candidato próprio na eleição presidencial de outubro.

Amanhã, será o dia de PSOL, PMN e Avante realizarem suas convenções. PMN e Avante tendem a não ter candidaturas próprias, enquanto o PSOL deve confirmar a chapa Guilherme Boulos e Sônia Guajajara. Domingo (22), o PSL se reúne no Rio de Janeiro para debater a candidatura do deputado Jair Bolsonaro, as alianças possíveis e o nome do vice.

Com Reuters.