Amanhã: Veja os 3 principais temas do mercado nesta quinta-feira

jun 27, 2018

Investing.com - A bolsa brasileira não resistiu a mais um dia de pressão no ambiente internacional e devolveu os ganhos dos últimos três pregões em um dia volátil com a política interna e investidores dividindo as atenções com o jogo da Seleção contra a Sérvia na Copa do Mundo.

O Ibovespa frequentou o terreno positivo pela manhã embalada pelos ganhos da Petrobras com o petróleo e após fala do ministro Moreira Franco sobre a cessão onerosa. O mau humor, contudo, se consolidou após o ministro do STF Ricardo Lewandowski proibir o governo de privatizar empresas sem autorização do Congresso e o índice passou para o negativo e fechou com perdas de 1,1% aos 70.609 pontos.

A Eletrobras foi um dos destaques negativos, pois a decisão de Lewandowski impõe mais uma barreira para a venda de suas distribuidoras, que correm risco de liquidação. Há quatro meses da eleição, o governo não aparenta ter força política para reverter a medida e a privatizar a companhia.

A elétrica fechou o dia com perdas de 5,05% nas ações preferenciais (SA:ELET6) a R$ 13,72 e de 4,1% a R$ 11,99 nas ações ordinárias (SA:ELET3). Esses são os menores valores de fechamento em um e dois anos, respectivamente.

A Petrobras (SA:PETR4) foi beneficiada pela disparada do petróleo e subiu 3,2% a R$ 16,55, também impulsionada pela declaração de Moreira Franco. O ministro de Minas e Energia disse que o acordo e o leilão do excedente da cessão onerosa poderão render US$ 28 bilhões à companhia.

Os bancos voltaram a frequentar o terreno negativo com o mau humor internacional e as dúvidas políticas locais. Itaúsa (SA:ITSA4) caiu 3%, enquanto o Banco do Brasil (SA:BBAS3) recuou 2,1%. O Itaú (SA:ITUB4) perdeu 1,8%, seguido pelo Santander (SA:SANB11), com desvalorização de 1,76%, e o Bradesco (SA:BBDC4), com -1,6%.

O dólar subiu 2% e fechou aos R$ 3,87 mesmo com a atuação do Banco Central, que ofertou swaps e US$ 2,4 bilhões em leilões de linha.

Os juros futuros subiram ao longo de toda curva. O contrato com vencimento em janeiro de 2019 avançou 0,045 p.p. a 6,975%, enquanto os papéis para janeiro de 2020 ganharam 0,090 p.p. a 8,52% os para janeiro de 2021 saltaram 0,11 p.p. a 9,52%.

Exterior cede com guerra comercial

A crescente disputa entre Estados Unidos e seus principais parceiros comerciais voltou a pressionar o humor dos investidores.

O Dow 30 recuou 0,68% a 24.117 pontos, mais de 9% abaixo de seu maior valor histórico alcançado em janeiro. O S&P 500 cedeu 0,86% a 2.699 pontos e o Nasdaq caiu 1,54% a 7.445 pontos.

Na China, o Índice de Xangai fechou com perdas de 1% e está em bear market, com recuo acumulado de 20% frente à máxima. O presidente do país, Xi Jinping, alertou que a China deveria se preparar para uma “guerra comercial em grande escala”, enquanto orientou que o Banco Popular da China reduza ou, até mesmo, corte as compras de títulos norte-americanos. Os chineses são os principais financiadores da dívida externa dos EUA.

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Veja os principais temas do calendário econômico que deverão movimentar o mercado nesta quinta-feira:

1. Pesquisas eleitorais movimentam o mercado

Os investidores vão novamente voltar seus olhos para o cenário eleitoral com a publicação na manhã desta quinta-feira de três pesquisas distintas sobre a disputa à Presidência.

O Ibope foi a campo em todo país para avaliar a capacidade de transferência de votos de Lula para o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

Aos entrevistados, foram apresentados dois cenários de primeiro turno: um com a presença do ex-presidente, preso em Curitiba e provavelmente fora da disputa; e o outro com a substituição de Lula por Haddad.

O mercado observará com atenção a capacidade de Lula de transferir os votos para seu possível substituto nas urnas e um número forte de Haddad poderá renovar o pessimismo dos investidores. Não há levantamento para segundo turno.

O instituto também publicará uma pesquisa realizada somente com eleitores de São Paulo na qual apresentará cenários com Lula, Haddad e o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner. Novamente, qualquer sinal de força na transferência de votos do ex-presidente deverá mexer com o mercado.

Amanhã, a XP também publica os dados de pesquisa realizada pelo Ipespe. Diferentemente do Ibope, feito presencialmente, a consulta foi feita por telefone e tende a dar números mais fortes aos candidatos com militância mais ativa como o Lula e Jair Bolsonaro.

O Ipespe apresentará cenários com Lula, Haddad e a opção de “Fernando Haddad - Apoiado por Lula”. Além disso, também perguntou a segunda opção de todos os eleitores pesquisados. Cenários de segundo turno serão publicados com diversas alternativas. A expectativa é de manutenção na liderança de Bolsonaro nos cenários sem Lula. Uma flutuação para baixo poderá ocorrer refletindo o início de campanha mais agressiva dos demais candidatos contra o atual líder.

Entre as surpresas positivas para o mercado seria a movimentação para cima de pré-candidatos abertamente reformistas como Geraldo Alckmin e Henrique Meirelles. Uma subida de nomes tido como contrários ao mercado, como Ciro Gomes, poderá abalar ainda mais a confiança dos investidores.

Uma queda no número de indecisos e dos votos nulos ou em branco também reduziria o ambiente de incertezas, facilitando a previsão de cenários pelos investidores.

2. Relatório de Inflação e entrevista de Ilan Goldfajn

O Banco Central publica amanhã às 8h o seu aguardado Relatório Trimestral de Inflação (RTI) com a revisão da conjuntura econômica e os cenários de juros, câmbio e o impacto no IPCA. O extenso documento baliza as visões dos diretores do banco e a política monetária do Copom.

O RTI deverá mostrar como o banco vê os desafios da alta do dólar, redução da atividade econômica no país e o cenário externo mais adverso aos países emergentes. Os analistas tentarão entender como o BC avalia o impacto nos preços do novo patamar do câmbio, incerteza com as eleições e o adiamento de reformas e, assim, tentar prever quando o Copom voltará a mexer nos juros do país.

Desde a última publicação do documento em março, a conjuntura econômica e a confiança do investidor mudaram fortemente.

No exterior, o Federal Reserve elevou o ritmo de alta de juros e Donald Trump embarcou numa guerra comercial crescente com a China. O ambiente de maior risco provoca a saída de dólares de emergentes como o Brasil, pressionando o real.

O ambiente interno também pesou com a greve dos transportadores de carga em maio, que provocou a revisão para baixo das otimistas projeções para o PIB do ano e pressionou a inflação mensal.

O cenário político ficou mais incerto desde a prisão de Lula e a entrada de grande número de pré-candidatos com visões opostas sobre a economia. Completa esse ambiente, um governo fraco de Michel Temer, que desistiu da aprovação de reformas estruturantes, enfrenta muitas dificuldades para privatizar a Eletrobras e poderá ter que usar o restante de seu capital político para tentar rejeitar uma possível terceira denúncia da PGR.

A publicação do RTI será seguida de entrevista coletiva às 11h do presidente do BC, Ilan Goldfajn, e o do diretor de Política Econômica, Carlos Viana.

3. PIB, diretores do Fed e dados de emprego nos EUA

Uma enorme quantidade de dados econômicos dos EUA atrairá a atenção dos investidores nesta quinta-feira, incluindo uma atualização crucial sobre o ritmo do crescimento econômico do país.

A leitura final do PIB do primeiro trimestre será divulgada às 9h30 e deverá mostrar que a economia expandiu {{ec-375||2,2%}}, dados anualizados, em linha com o número prévio publicado no mês passado. O {{ec-343||índice de preços do PIB}} deverá mostrar um aumento de 1,9% no trimestre.

O Departamento de Trabalho divulga a contagem semanal do número de pedidos de seguro desemprego. O relatório sai às 9h30 para o período encerrado em 22 de junho e a expectativa é de uma aceleração para 220 mil, de 218 mil.

Os investidores acompanham ainda discurso do presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, que fala às 11h45 e do presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, às 13h, que podem oferecer uma visão do pensamento do banco central sobre a política monetária.

O mercado também ficará de olho em Wall Street depois que o Dow mostrou uma forte reversão no intraday desta quarta-feira, entregando mais de 285 pontos para encerrar a sessão em negativo.

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Veja todos os eventos que poderão mexer com o mercado no calendário econômico do Investing.com Brasil

Urna eletrônica (Elza Fiúza/Agência Brasil)