Alta do dólar levará Petrobras a subir gasolina em breve, avalia Rosenberg

ago 24, 2018

Arena do Pavini - A alta do dólar em relação ao real para R$ 4,12 no mercado comercial deve levar a Petrobras (SA:PETR4) a subir os preços dos combustíveis em breve, avalia a consultoria Rosenberg Associados. Segundo a consultoria, os preços internacionais da gasolina em reais estão quase 11% mais altos neste mês. A disparada da taxa de câmbio foi o principal motivo para o avanço observado no preço da gasolina no exterior (quando medido em reais por litro), o que influencia os ajustes da Petrobras no mercado local. O real se desvalorizou 3,72% na última semana, acumulando queda de 10,1% em relação ao mês anterior. Desta forma, o preço internacional do combustível (Costa do Golfo) apresenta alta de 10,9% na comparação mensal. A alta dos combustíveis é um dos efeitos da subida do dólar que pode puxar a inflação e mexer com os juros.

Com isso, a defasagem entre o preço nacional e internacional da gasolina aumentou consideravelmente no último mês (gráfico acima), com o preço internacional permanecendo acima do cobrado no Brasil, o que poderá levar a Petrobras a conceder mais reajustes para cima no preço de venda às distribuidoras nas próximas semanas, prevê a Rosenberg.

A defasagem entre o preço nacional e internacional do diesel, considerando os preços de revenda do combustível aqui no país, zerou nesse último mês, com o preço internacional superando o cobrado no Brasil. Após a greve dos caminhoneiros, o governo passou a subsidiar o preço de venda do diesel às distribuidoras. Com isso, o reajuste, que era diário, assim como feito com a gasolina, agora ocorre a cada 30 dias.

Subsídio teria de subir

A estatal mantém o preço do diesel fixado em R$ 2,03 por litro desde o dia 04 de junho, sendo que o governo paga à estatal a diferença que é obtida com possíveis variações cambiais e do preço internacional do combustível. Com a alta recente do dólar, o subsídio de R$ 0,30 no preço do diesel dado pelo governo já não é suficiente para conter o aumento de preços para os consumidores. A partir de setembro, portanto, o preço de revenda da Petrobras provavelmente será reajustado, impactando no valor pago pelos consumidores.

No mercado internacional, o preço do diesel em Nova York trazido para cotação em real aumentou 13,23% na comparação mensal, onde parte disso reflete a alta no câmbio e outra parte reflete o aumento efetivo do preço no mercado externo.

Preços seguem em queda

A Rosenberg destaca que, segundo pesquisa semanal divulgada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), os preços médios de revenda dos combustíveis nos postos do país seguem em queda em agosto na comparação mensal. Dentre os principais combustíveis, as maiores variações negativas foram observadas no etanol (-4,64% na comparação mensal móvel e -1,49% em relação a semana anterior) e na gasolina (-1,82% em relação ao mês anterior, com queda de 0,80% na comparação semanal). O gás natural recuou 1,30% em relação ao mês anterior, enquanto o Diesel S10 contraiu 0,25% nesta mesma base de comparação.

Reajustado diariamente pela Petrobras, o preço de venda da gasolina às distribuidoras subiu 5,76% na comparação mensal móvel (cotação em R$/l). Desde o início de agosto, o preço estipulado pela Petrobras apresenta um aumento de 4,38% (na última semana o aumento foi de 3,71%). Para definição do preço da gasolina oferecido às distribuidoras, a empresa avalia os preços do Petróleo no mercado internacional e a cotação do real em relação ao dólar, lembra a Rosenberg.